O Uso Prolongado da Pílula Anticoncepcional Pode Dificultar a Concepção?

O Uso Prolongado da Pílula Anticoncepcional Pode Dificultar a Concepção?
Ellen Cristie
Ellen Cristie3, Dezembro - 2020

Você já ouviu falar que o uso de pílulas anticoncepcionais em excesso ou desde muito cedo pode prejudicar a fertilidade?

A verdade é que há muitas informações desencontradas sobre os reais efeitos do contraceptivo, muitas das quais sem nenhum embasamento científico, o que cria uma série de “boatos” e assusta as mulheres, especialmente as que desejam realizar o sonho da maternidade.

Há evidências de que o uso prolongado do anticoncepcional interfira na fertilidade?

Segundo os especialistas em reprodução, não há provas científicas de que isso ocorra ou nem mesmo que o uso prolongado da pílula seja um entrave para que a mulher engravide.

Após a interrupção do uso da pílula anticoncepcional, o que geralmente ocorre é que algumas mulheres vivenciam ciclos menstruais irregulares por vários meses. Mas isso é normal. Na maioria dos casos, essa ausência de menstruação (amenorreia) deve-se a outros fatores, a exemplo de altos níveis de estresse ou à perda de peso.

No caso de mulheres acima de 35 anos, as chances de gravidez diminuem, mas não devido ao uso dos contraceptivos. A mulher também pode apresentar outros problemas, como disfunções hormonais, baixa reserva ovariana, infecções genitais, entre outros.
Ao contrário do que é divulgado, na verdade, o contraceptivo pode atuar como protetor da mulher contra doenças, como o câncer de ovário e de útero, patologias que provocam a infertilidade.

O uso de pílulas por longo prazo pode melhorar os sintomas da endometriose

Um exemplo claro da eficácia do uso por longo prazo da pílula anticoncepcional é a redução significativa dos sintomas da endometriose – doença provocada pelo acúmulo de tecidos que revestem o interior do útero fora da cavidade uterina – em tese em outros órgãos da região pélvica, como ovários, intestinos, bexiga e trompas – provocando, em alguns casos, a infertilidade.

Outro benefício do contraceptivo é a menor incidência de gravidez ectópica – caracterizada pelo desenvolvimento do embrião fora do útero. O problema pode levar à morte, caso o óvulo fertilizado mantenha-se na parede uterina, gerando danos a órgãos próximos.

Médicos afirmam ainda que o contraceptivo diminui o risco de formação de cistos ovarianos, além de controlar disfunções hormonais no caso de mulheres que apresentam ovários policísticos e de mulheres que têm disfunções menstruais com fluxo intenso ou irregular. Assim, diminuindo a incidência de pólipos e miomas.

Há quem diga que quanto maior for o tempo que a mulher usa pílulas anticoncepcionais, menos ovulações você ela terá e, assim, a fertilidade deverá ser preservada.

O que os médicos aconselham?

É importante lembrar que as mulheres que optam pelos métodos contraceptivos orais devem recorrer à orientação médica, porque, como qualquer outro medicamento, as pílulas anticoncepcionais têm efeitos colaterais e são indicadas de acordo com o perfil clínico de cada paciente.

No caso de fumantes e mulheres com problemas circulatórios, por exemplo, nem sempre elas são o melhor método contraceptivo.

Posso engravidar assim que parar de tomar a pílula?

A maioria dos especialistas recomenda que, após interromper o uso da pílula anticoncepcional, a mulher deva esperar pelo menos um ciclo menstrual até que comece a tentar uma gravidez.

Outros sugerem até um período maior – entre dois a quatro meses, até mesmo para que a mulher conheça o próprio corpo e verifique os períodos de ovulação.