Paternidade Tardia: Ser Pai Mais Velho Tem Complicações?

Paternidade Tardia: Ser Pai Mais Velho Tem Complicações?
Ellen Cristie
Ellen Cristie10, Fevereiro - 2021

Quem já não ouviu ou disse que um homem pode ser pai até 100 anos? Celebridades como Mick Jagger, Richard Gere, John Travolta, Kevin Costner e uma lista infindável de famosos foram pais com idades mais avançadas.

No entanto, há estudos que demonstram que, assim como com as mulheres, o relógio biológico não é assim tão generoso com eles também. É que as células reprodutoras masculinas podem ser afetadas à medida que o tempo passa e, consequentemente, há riscos.

Abaixo listamos alguns aspectos que têm sido pesquisados sobre a paternidade tardia e suas consequências. É importante destacar que não há um estudo fechado e sim pesquisas preliminares sobre o tema. Acompanhe:

Qualidade do sêmen

Algumas pesquisas mostram que, depois de 40 anos, a qualidade do sêmen piora, prejudicando o tempo para o sucesso da gestação se comparado ao sêmen dos homens mais jovens.

Embora o homem produza espermatozoides por toda a vida, isso não significa que a eficácia do sêmen seja 100%. É um processo natural do envelhecimento.

Mesmo que as células produtoras de espermatozoides continuem sendo renovadas a cada divisão celular, elas sofrem o efeito do estresse oxidativo – efeito típico do envelhecimento celular.

Doenças psiquiátricas

Cientistas apontam uma relação entre a idade avançada do homem e o aumento da incidência, nos filhos, de quadros de esquizofrenia e doenças com espectro autista, ou seja, condições caracterizadas por atrasos no desenvolvimento cognitivo e psicossocial com origem genética.

Em vários trabalhos epidemiológicos, têm sido registrada uma maior incidência de filhos autistas de pais com mais de 50 anos. Outras variáveis podem ser levadas em consideração, como histórico familiar de doenças psiquiátricas, fatores ambientais e comportamentais.

No caso da esquizofrenia, há um risco quase três vezes maior de pais acima de 50 anos terem filhos com essa condição.

Como explicar isso?

Há estudos que mostram uma maior ocorrência dessas condições com base no processo de produção dos espermatozoides, assim como nos casos de abortos ou malformações congênitas.

A cada divisão celular, o genoma é copiado, mas podem ocorrer erros capazes de serem transmitidos para a próxima geração. Aos 20 anos, a expectativa é que o homem passe ao filho 25 dessas mutações (as falhas) e aos 40 anos, essas mutações passam para 65.

Mais experiência

No entanto, nem tudo está perdido. Se pais com idade mais avançada correm risco quanto ao nascimento de seus filhos, caso estes filhos venham a nascer sem nenhuma intercorrência, eles terão pais (e aqui me refiro ao pai e à mãe) com maior experiência de vida e, consequentemente, com uma condição financeira melhor que há 20, 30 anos.

Teoricamente, pais mais maduros criam os filhos com mais maturidade, paciência e dedicação.

Com a palavra, as mamães!

Infelizmente, a partir dos 35 anos as mulheres entram para uma faixa de risco quando o assunto é gravidez. Além da possibilidade maior de o filho nascer com síndrome de Down, o risco de hipertensão nesse período também aumenta.

É importante destacar também que a fertilidade feminina começa a dar sinais de desgaste a partir dos 25 anos, sofrendo uma queda considerável após os 35 anos. Alimentação saudável e controle dos níveis de pressão e açúcar no sangue merecem uma atenção especial a partir dessa idade.